domingo, 31 de julho de 2011

Demóstenes denuncia crimes em livros didáticos distribuídos pelo MEC

Eu ainda não vi esta coleção didática. Politicamente falando, aparentemente o discurso é tendencioso, mas pela seriedade do assunto aqui vai o vídeo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Meritaço


Claudia helena Villela de Andrade




Merita era apelido de Maria Esméria, irmã mais velha do papai. Foi a primeira mulher a dirigir um automóvel em Barra Mansa, interior do Rio de Janeiro. Elegante, bonitona. Baton vermelho nos lábios, cigarro entre os dedos, saia justa. Verruga natural no rosto. Uma sereia de rio, como diziam os rapazes da época. Bem moderna para aquele momento. Perto dela era impossível não estar às gargalhadas. Fazia piada de tudo que visse. Às vezes era tão autêntica que beirava a grossura. Mas era o jeito dela. Olhava, pensava e dizia... dane-se o resto!
Casou-se, teve dois filhos e alguns netos, mudou para o Rio de Janeiro, curtiu muito o Arpoador e Ipanema. Tomou todos os chopes do Rio. Jogou tênis no Leme, viajou à Europa e na meia idade voltou a morar no interior.
Ela e o marido, tio Wilson, eram muito divertidos. Na velhice ficaram ainda mais engraçados. Brigavam sem parar, mas viviam grudadinhos. Tanto, que quando ele morreu, logo depois ela se foi também. Alguns meses depois.
Quando o tio Wilson queria implicar com ela, ao ajudá-la a levantar de algum lugar, dizia: “Levanta o piano!” E daí ela ficava xingando, com ódio por ele chamá-la de gordinha. Saíam resmungando um com o outro, mas sempre juntinhos.
Foi com ela que aprendi a ver se uma coxinha de galinha era boa. Dizia que, na primeira mordida, a gente devia colocar a massa entre os dentes e abrir a boca devagar. Arreganhando o maxilar vagarosamente. Se a massa agarrasse nos dentes, a coxinha não prestava. Se ao contrário, se soltasse, a massa era boa. Mas a cara que ela fazia pra explicar isso, era de se fazer xixi nas calças!
Meritaço foi uma tia muito linda. Super amiga do meu pai e de todos nós. Só podia mesmo ter nascido nesse dia, 12 de junho. Dia dos Namorados!

Claudia helena Villela de Andrade,
Do livro: Prosas do Ninho - vencedor na categoria "Livro de Memórias" (Prêmio Áureo Nonato) no concurso II Prêmios Literários Cidade de Manaus.

Claudinha representa com muita honra essa nova geração de escritores. Reconhecida com prêmios literários e muito criativa, tem um poder de síntese que somente os melhores possuem. Na internet, comanda com qualidade o grupo pax_poesis encantada, qualidade esta que resultou na publicação de dois livros do grupo, um de prosas e outro de poesias, além dos eletrônicos.

sábado, 23 de julho de 2011

O poeta Dante Milano


O Beco

No beco escuro e noturno
Vem um gato rente ao muro.

Os passos são de gatuno.
Os olhos são de assassino.

Esgueirando-se, soturno,
Ele me fita no escuro.

Seus passos são de gatuno.
Seus olhos são de assassino.

Afasta-se, taciturno.
Espanta-o meu vulto obscuro.

Meus passos são de gatuno.
Meus olhos são de assassino.

Eu tinha 15 anos quando li Dante Milano pela primeira vez. Hoje eu gosto do poema acima, mas naquela época a poesia mais marcante me pareceu ser uma que, por coincidência, se intitula Descobrimento da Poesia. Que bom reencontrá-la.

Descobrimento da Poesia

Quero escrever sem pensar.

Que um verso consolador
Venha vindo impressentido
Como o princípio do amor.

Quero escrever sem saber,
Sem saber o que dizer,
Quero escrever uma coisa
Que não se possa entender,
Mas que tenha um ar de graça,
De pureza, de inocência,
De doçura na desgraça,
De descanso na inconsciência.

Sinto que a arte já me cansa
E só me resta a esperança
De me esquecer do que sou
E tornar a ser criança.

Dante Milano


Dante Milano (1899–1991), Rio de Janeiro. Esse poeta cujo “fazer poético” parecia cravado no silêncio, por pouco não deixou de vir a público, tanto que a primeira edição de seus poemas saiu pela Editora José Olympio (1948), fruto de uma “ação entre amigos”: Queirós Lima e Manuel Bandeira, entre outros, à revelia do poeta. Pelo jeito, o silêncio dele era mais do que “recusa em se manifestar”, talvez fosse mesmo o seu método poético. Conhecido e admirado dentre artistas, intelectuais e acadêmicos, mas desconhecido do grande público. É um dos poetas representativos da terceira geração do Modernismo, muito embora não se integrasse a qualquer corrente, ou tradição na escrita da época. Em 1988 publicou “Poemas Traduzidos de Baudelaire e Mallarmé”(tradução dele). No mesmo ano recebeu o “Prêmio Machado de Assis”, concedido pela Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Eu vejo



Não sei como surgiu a pradaria,
a gaivota e o poema em suspensão
na água do teu olhar.

Mas quem sou eu para sondar essas coisas,
palpitantes como a alma da madeira adormecida
nos papéis em branco?

Embalada pelo vento,
e prisioneira da sensação
que o frescor das manhãs guardam,
eu penso nisso.

E mesmo no cimento antigo das calçadas
eu vejo as marcas dos teus passos,
eu vejo.

Cissa de Oliveira

Poesia de amor


Pra que dizer do verso,
da poesia, do amor?

Essas coisas são intrínsecas
ao humano,
e se escrevem por aí
na explosão natural dos gestos.

Sem mexer qualquer tijolo
nos desconstroem, nos recomeçam.


Cissa de Oliveira

domingo, 17 de julho de 2011

Mulher Malabarista

Cissa de Oliveira



É preciso dar um jeito nos cabelos, na pele, no trabalho, na auto-estima, na felicidade.



Entender o que diz uma circunferência de cintura, a postura, o nível do colesterol,



a mídia. Dar cabo das rugas ainda finas e do bigode chinês que está por chegar.


É preciso ser boa mãe,

Amanda e eu

organizar a casa, as compras, as empregadas – quando há. Lidar direito com o tempo, com a coragem, com a liberdade.


Ter pique de vinte.


Pique e aparência! E se nada disso fizer efeito, ser criativa, modelo boa de ser copiada, equilibrista, personagem.


Ah, que enjôo! Assim, só sendo mínima: irreal, alienígena, mosquito, macho.


Quer saber? Seja você mesma!


Yes, you can!

sábado, 9 de julho de 2011

Teatro do SESC Campinas

Durante e depois da peça "João e o pé de feijão" (Cia. Bacante de Teatro. Direção Adilson Ledubino), no sábado passado. Pois sim, um infantil? Exatamente, "João e o Pé de Feijão", uma adaptação do conto de fadas tradicional.

No Palco:
Amanda Moreira e Vitor Paranhos


Amanda Moreira


Amanda Moreira

Parte do elenco:

Sol, Antonio Carlos, Salette, Cissa e José



Francisco, Amanda Moreira, Bruna, Dani, Antonio Carlos

Salette, Cissa e o João.... ops, o ator Henrique Cesar Vieira

Cissa, Sol e Caio Vinícius

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cocô de Passarinho

Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Dia destes falei de barulhos que incomodam a gente. Hoje, verificando uma parede externa da minha casa, recém pintada, lembrei-me daquela crônica. Reclamei de sons acima do permitido que a gente tem que suportar, então me ocorreu falar de sons agradáveis, que a gente ainda tem o privilégio de ouvir.´

É que a referida parede estava com uma mancha enorme de cocô de passarinho. À primeira vista, a gente tende a se incomodar, pois a parede estava impecável, a tinta ainda cheirando de fresca, mas cá pra nós, e o benefício que a passarinhada traz para nós, seres humanos estressados que vivem na cidade?

Pensei na cantoria da passarada, o dia inteiro, compensando o som de música nas alturas da vizinhança, barulho de fábrica de um lado, barulho de fábrica do outro, um vizinho berrando na casa ao lado.

É uma beleza acordar com a passarinhada cantando, sentar-me aqui para escrever a minha crônica diária ouvindo a cantoria de bem-te-vis e outros amigos alados dos quais nem sei o nome. Eu até esqueço das buzinadas insistentes da redondeza e outros tantos barulhos.

Então não me aborreço com o cocô dos passarinhos na minha parede, no muro da frente – eles ficam na grade de ferro em cima do muro, pois eu jogo sementes velhas e farelo de pão no jardim que eles vêm comer – pego um pano e vou limpar e passo tinta de novo.

E digo que podem fazer cocô à vontade, contanto que venham cantar na minha calha, no meu jardim, no meu telhado, na minha porta. São bem-vindos.

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Com este mesmo título, o autor lançou um livro de crônicas ontem, na Biblioteca Municipal Rolf Colin, em Joinville. O lançamento ocorreu também em comemoração aos 31 anos do suplemento literário "A Ilha", coordenado pelo autor.

Sobre o livro, Luiz Carlos Amorim disse em entrevista para o Jornal de Santa Catarina:
— Procurei fazer um retrato do momento atual em diversas áreas, como cultura, arte, saúde, política e meio-ambiente.

— Mais tarde, quem pegar o livro para ler vai saber o que aconteceu neste período —


Interessados podem fazer pedidos pelo (48) 3039-0093 ou pelo e-mail lc.amorim@ig.com.br


Luiz Carlos Amorim tem 27 livros publicados, entre os gêneros de contos, poesia, infanto-juvenil e história.

E por falar em Hitchcock


É meio Hitchcockiano. Se o leitor me conhecer pouquinha coisa, me enxerga no texto e pronto. Por mais que eu não queira. Questão de estilo? Talvez.

Numa folha que cai, silenciosamente, num grito de surpresa, num quebra-cabeça incompleto, num sombreado, enfim, enquanto escritores podemos criar e recriar tantas descrições, nos metamorfosear em versos, imagens, personagens, e ainda assim estar a descoberto.

Vocês estão vendo aquela pessoa ali, arrastando plataforma afora um objeto, tão grande quanto o dobro do próprio tamanho? Sou eu no meu texto. Ao menos até que dois pares de sapatos – um branco e um preto –, bem focalizados caminhem em direção a um vagão de trem, e definitivamente se apossem da cena. E aquela pessoa ali, sentada na cadeira da Senhora Bates, a mãe do psicopata em “Psicose”, quem é? Eu mesma... Está bem, está bem, é o Hitchcock no próprio filme, mas é como se fosse eu, no meu texto, óbvio. Ou qualquer outro escritor, no texto dele.

No paralelo que eu fiz agora, não há uma comparação verdadeira, apenas uma observação relacionada ao fato de que Hitchcock normalmente aparecia, numa espécie de assinatura imagética, nos filmes que dirigia. A comparação é descabida? Mas eu gosto, e descabido por descabido, o grande homenzinho também o era, ou não? Na cabeça dele, a cena vinha antes do texto e pronto! É um gostoso exercício de imaginação supor que Hitchcock tenha feito isto propositalmente, apenas para se colocar exatamente onde todo autor se coloca, mesmo que inconscientemente: dentro da própria criação.

A personalidade artística do autor está gravada nos seus textos, feito digitais. Mas quando é que cada autor se reveste de determinado estilo? O estilo é questão de talento ou de aperfeiçoamento? As duas coisas? A técnica, somente a técnica, é capaz de moldar e projetar um autor? O que é um bom autor? Aquele que consegue sobreviver do seu trabalho? Aquele que é empossado em academias, ou o quê?

E já que eu falei em Hitchcock, pensem bem antes de responder. Apesar de indicado várias vezes, o grande Hicthcock nunca recebeu um Oscar sequer. Questão de destino? Não sei, mas que isso torna tudo ainda mais Hitchcockiano, lá isso torna.



Alfred Hitchcock (1899-1980)foi um cineasta anglo - americano, considerado o mestre dos filmes de suspense.